A seleção francesa sofreu um inesperado revés diante da Costa do Marfim ao perder por 2-1, esta quinta-feira, em Nantes, num dos últimos ensaios antes do Campeonato do Mundo de 2026. Apesar da derrota, a noite acabou por confirmar a ascensão de um nome que ganha cada vez mais espaço no futebol europeu: Rayan Cherki.
Num encontro marcado por experiências tácticas e observações individuais, o médio ofensivo de 22 anos assumiu o protagonismo de uma equipa francesa que apresentou dificuldades colectivas, mas encontrou no antigo jogador do Lyon uma das poucas razões para optimismo.
A partida começou com a França a controlar a posse de bola e a procurar impor o seu ritmo perante uma Costa do Marfim organizada e preparada para explorar os erros adversários. Enquanto grande parte dos adeptos aguardava mais uma exibição decisiva de Kylian Mbappé, foi Cherki quem assumiu a responsabilidade criativa no sector ofensivo.
Aos 45 minutos, o jovem internacional francês produziu um momento de pura inspiração. Recebendo um passe de Marcus Thuram numa zona congestionada da área, deixou vários adversários para trás com uma sequência de dribles curtos e mudanças rápidas de direcção antes de finalizar com precisão para o fundo das redes, sem qualquer hipótese para Yahia Fofana.
O lance arrancou aplausos das bancadas do Stade de la Beaujoire e confirmou o excelente momento de forma do jogador, que assinou o seu segundo golo com a camisola da França desde a estreia pela equipa principal.
Contudo, o brilho individual não foi suficiente para esconder algumas fragilidades da selecção orientada por Didier Deschamps. Após o intervalo, os marfinenses cresceram no encontro, aproveitaram espaços deixados pela defesa francesa e conseguiram inverter o marcador. O golpe final surgiu aos 84 minutos através de Amad Diallo, que garantiu a vitória africana e silenciou os adeptos franceses.
O resultado deixa algumas interrogações para a equipa técnica dos “Bleus”, especialmente numa fase em que a preparação para o Mundial entra na recta final. Embora a qualidade ofensiva continue a ser um dos pontos fortes da selecção, a consistência defensiva e a capacidade de gestão dos jogos voltam a surgir como aspectos a corrigir.
No plano individual, Cherki foi novamente o centro das atenções. Escalado numa posição mais central por Didier Deschamps, o jogador mostrou maturidade táctica, mobilidade e capacidade para ligar sectores do campo. Além do golo, participou em várias jogadas perigosas e esteve perto de oferecer uma assistência a Maghnes Akliouche, que acabou travado por uma excelente intervenção de Fofana.
Nem tudo, porém, foi perfeito. O jovem médio também desperdiçou uma oportunidade clara ainda na primeira parte e perdeu algumas bolas em zonas sensíveis do terreno. Mesmo assim, a sua capacidade de recuperação emocional e a facilidade com que encontra soluções criativas continuam a impressionar observadores e analistas.
Nos bastidores da selecção francesa, cresce a percepção de que Cherki pode assumir um papel muito mais relevante do que inicialmente previsto. Desde o início da concentração em Clairefontaine, o jogador tem demonstrado confiança, integração no grupo e uma relação próxima com várias figuras influentes do balneário, incluindo Kylian Mbappé.
Para muitos especialistas, o Mundial de 2026 poderá representar a verdadeira afirmação internacional do médio francês. Com talento técnico acima da média, visão de jogo e personalidade para decidir partidas importantes, Cherki surge cada vez mais como uma das apostas mais promissoras da nova geração francesa.
Apesar da derrota frente à Costa do Marfim, a França sai deste teste com uma certeza: se pretende voltar a lutar pelo título mundial, terá de resolver problemas colectivos. Mas também leva uma boa notícia: encontrou em Rayan Cherki um jogador capaz de desequilibrar qualquer adversário e assumir responsabilidades nos momentos de maior pressão.
Fontes: BeSoccer, AFP, Federação Francesa de Futebol.