O treinador espanhol Robert Moreno, de 48 anos, deixou o comando técnico do FC Sochi, clube da Primeira Divisão do futebol russo, após uma sequência de resultados abaixo das expectativas — e por motivos que agora ganham destaque na imprensa esportiva internacional.
Segundo revelações de Andrei Orlov, ex-diretor executivo do clube, divulgadas vários meses depois da saída do técnico em setembro de 2025, Moreno teria usado de forma intensiva inteligência artificial, especialmente o ChatGPT, como uma ferramenta central no seu trabalho diário — incluindo táticas, logística, planeamento de treinos e até decisões sobre contratações.
📉 Decisões baseadas em IA causaram controvérsia
Orlov contou que, mais do que consultar a tecnologia, Moreno teria delegado-lhe tarefas que normalmente exigem experiência humana e sensibilidade profissional. Entre os episódios agora relatados:
- Durante uma viagem a Khabarovsk, na região oriental da Rússia, Moreno teria seguido um plano gerado pelo ChatGPT que indicava que a equipa não deveria dormir por 28 horas seguidas antes do jogo, e que treinaria às 7h da manhã — um esquema que deixou jogadores e equipa técnica desconcertados.
- Na janela de transferências de verão, Moreno teria utilizado o ChatGPT para analisar dados de três potenciais avançados e, com base nas recomendações da IA, optado pela contratação de um jogador que acabou por não marcar golos em dez jogos oficiais com o clube.
Orlov resumiu a situação dizendo que, para Moreno, a IA deixou de ser uma ferramenta auxiliar e tornou-se um elemento central na tomada de decisões, causando inquietação interna e falta de confiança por parte do plantel e da equipa técnica.
Versão de Robert Moreno
Robert Moreno negou estas acusações em declarações recentes, afirmando que não usou IA para tomar decisões técnicas ou definir estratégias de jogo, mas sim ferramentas comuns de análise e que sua saída foi por acordo mútuo.
Resultados esportivos e desfecho
Moreno comandou o Sochi desde dezembro de 2023 até setembro de 2025. Apesar de ter conseguido a promoção do clube de volta à Premier League russa, o desempenho foi irregular, com apenas um ponto conquistado em sete jogos na fase de retorno à primeira divisão, levando à sua saída em meio à crise no clube.
O caso reacende o debate sobre o papel e os limites da inteligência artificial no futebol profissional, sobretudo quando ultrapassa o papel de ferramenta suplementar para se tornar elemento determinante nas decisões da equipa técnica. (Paulo Nhambo)