Coreia do Norte impõe censura rigorosa à Premier League: partidas editadas e sem jogadores sul-coreanos
O líder norte-coreano Kim Jong-un autorizou a transmissão de jogos da Premier League inglesa no país, mas sob condições extremamente rigorosas e censura severa.
Segundo relatos internacionais, o regime permitirá que parte dos jogos seja exibida de forma editada, refletindo o controle ideológico característico do governo norte-coreano.
⚽ Jogos editados e sem transmissão ao vivo
As partidas da Premier League não serão transmitidas ao vivo.
Cada jogo passará por um processo de edição e aprovação antes de ir ao ar, o que significa que os cidadãos norte-coreanos assistirão versões cortadas e modificadas dos encontros originais.
De acordo com fontes próximas ao processo, os jogos serão reduzidos de 90 para 60 minutos, removendo trechos considerados “irrelevantes ou inadequados” pelo regime.
🚫 Proibição de jogadores sul-coreanos
Um dos pontos mais notáveis da censura é a remoção de todas as imagens envolvendo jogadores da Coreia do Sul.
Entre os atletas afetados estão Son Heung-min (Tottenham), Hwang Hee-chan (Wolverhampton) e Kim Ji-soo (Brentford).
A medida reflete a rivalidade histórica e ideológica entre as duas Coreias, que permanecem tecnicamente em guerra desde 1953.
Para o regime de Pyongyang, exibir jogadores sul-coreanos seria o mesmo que promover a imagem do inimigo.

🏳️🌈 Símbolos LGBTQ+ e mensagens sociais serão removidos
As transmissões também eliminarão qualquer símbolo ou mensagem considerada contrária à ideologia do regime.
Entre os elementos censurados estão:
- Bandeiras e braçadeiras LGBTQ+,
- Mensagens de campanhas como “No Room for Racism”,
- Qualquer tipo de gesto político ou social dentro de campo.
Essas edições visam impedir que o público tenha contato com valores ocidentais ou progressistas, que o governo considera incompatíveis com a “moral socialista” da Coreia do Norte.
📺 Censura de idioma e símbolos estrangeiros
O governo também determinou que qualquer texto em inglês visível durante as transmissões — como placas publicitárias ou sinalização dos estádios — seja coberto com gráficos em coreano.
A justificativa é minimizar a influência linguística e cultural do Ocidente sobre a população.
Além disso, as emissões são exibidas com dias ou semanas de atraso, para que todas as revisões sejam aplicadas.

🔍 Justificativa do regime: “proteger a cultura nacional”
Fontes próximas a Pyongyang afirmam que o regime justifica as restrições como forma de “proteger a cultura e a juventude norte-coreana da decadência moral estrangeira”.
Na prática, porém, especialistas afirmam que trata-se de mais uma medida de controle ideológico e isolamento informativo.
O analista sul-coreano Park Hyun-woo, citado pelo The Guardian, destaca:
“O futebol é uma das poucas janelas para o mundo real. Por isso, o regime teme o impacto que imagens não controladas podem causar na percepção do povo.”
🧠 O medo por trás da censura
Por trás dessas proibições, há um medo político e psicológico profundo:
- Medo da influência estrangeira: o regime teme que o povo admire a liberdade e prosperidade de outros países;
- Medo da comparação: ver estádios modernos e torcedores livres poderia gerar questionamentos internos;
- Medo da perda de controle: transmissões internacionais representam uma abertura que ameaça a narrativa estatal.
Assim, até o futebol — o esporte mais popular do planeta — é tratado como potencial risco à estabilidade ideológica do país.
🗣️ Reações internacionais
A notícia causou repercussão global.
Muitos fãs de futebol consideraram as restrições “absurdas”, enquanto analistas veem a decisão como mais um sintoma do isolamento extremo da Coreia do Norte.
Nenhum comentário oficial foi feito pela Premier League sobre a forma como seus jogos estão sendo utilizados no país.