Rabat, 18 de Janeiro de 2026 — O Senegal voltou a escrever o seu nome em letras douradas no futebol africano ao conquistar a Taça das Nações Africanas (CAN 2025), depois de vencer Marrocos por 1-0, numa final intensa, dramática e marcada por episódios polémicos que manterão o jogo vivo na memória coletiva do continente por muitos anos.
Disputada no Estádio Prince Moulay Abdellah, perante um público maioritariamente marroquino e um ambiente de enorme pressão, a final colocou frente a frente duas das seleções mais consistentes do torneio. O que se viu foi um duelo de nervos, resistência física e estratégia, onde cada detalhe fez a diferença.
Equilíbrio total nos 90 minutos
Desde o apito inicial, Senegal e Marrocos demonstraram respeito mútuo e enorme disciplina tática. O meio-campo foi palco de intensas batalhas, com poucas oportunidades claras de golo durante o tempo regulamentar. As defesas mostraram-se sólidas, os guarda-redes seguros e o marcador manteve-se inalterado ao fim dos 90 minutos, empurrando a decisão para a prorrogação.
Penálti, VAR e tensão máxima
O momento mais controverso da partida surgiu nos instantes finais do tempo regulamentar. Após uma longa análise do VAR, o árbitro assinalou grande penalidade a favor de Marrocos, decisão que gerou protestos veementes da seleção senegalesa e criou um clima de enorme tensão dentro e fora do relvado.
Chamado a assumir a responsabilidade, Brahim Díaz tentou surpreender com uma cobrança arriscada, mas Édouard Mendy, experiente e frio, defendeu o penálti e manteve o empate, num lance que viria a mudar o rumo da final. O estádio mergulhou num misto de incredulidade e ansiedade, enquanto o jogo seguia para o prolongamento.
O golo que decidiu a África
Já no prolongamento, quando o desgaste físico era evidente e o erro podia ser fatal, o Senegal mostrou maior lucidez. Após uma recuperação de bola no meio-campo e uma transição rápida, Pape Gueye surgiu com espaço à entrada da área e finalizou com precisão, batendo Yassine Bounou e colocando os “Leões de Teranga” em vantagem.
O golo foi um golpe duro para Marrocos, que tentou reagir nos minutos finais com pressão intensa, bolas longas e entradas ofensivas, mas encontrou sempre uma defesa senegalesa organizada e determinada a segurar o resultado.
Apito final e consagração
Quando o árbitro apitou para o fim do encontro, aos 120+ minutos, o Senegal explodiu em festa. Jogadores caíram no relvado, a equipa técnica correu para abraçar os atletas e milhares de adeptos senegaleses celebraram um título que confirma a seleção como uma potência consolidada do futebol africano.
Esta conquista representa o segundo título da CAN em três edições para o Senegal, coroando uma geração talentosa, madura e mentalmente forte. Para figuras como Sadio Mané, líder e símbolo da equipa, o troféu tem um sabor especial, podendo marcar uma das últimas grandes páginas da sua carreira internacional.
Marrocos cai de pé
Apesar da derrota, Marrocos sai da competição com a cabeça erguida. A seleção anfitriã fez um torneio sólido, competitivo e demonstrou qualidade suficiente para disputar o título até ao último detalhe. A falha no penálti e o golo sofrido no prolongamento não apagam a boa campanha nem o crescimento sustentado do futebol marroquino nos últimos anos.
Uma final para a história
A final da CAN 2025 ficará marcada não apenas pelo resultado, mas pelo conjunto de emoções: decisões polémicas, drama até ao último minuto, defesas decisivas e um golo que definiu um campeão. O Senegal confirmou a sua maturidade competitiva e reforçou o seu estatuto continental, enquanto Marrocos viveu a dor de ver o sonho do título em casa escapar nos detalhes.
No fim, venceu quem foi mais eficaz, mais resiliente e mais forte nos momentos decisivos. África tem um novo — e merecido — rei do futebol. (futnews24)