Luka Modrić revelou que seu sonho era encerrar a carreira no Real Madrid, mas aceitou que “tudo tem um fim” e iniciou uma nova etapa no Milan. Em entrevista, relembrou a despedida emocionante em Madrid, as difíceis negociações com o Tottenham, e falou sobre sua infância marcada pela guerra e o apoio decisivo da família.
Luka Modrić vive agora uma nova fase da sua carreira no Milan, porém admite que o seu grande desejo sempre foi encerrar a trajetória profissional com a camisa do Real Madrid. Em entrevista ao programa The (Un)success of the Champion, conduzido pelo compatriota Slaven Bilić, o médio croata abriu o coração sobre a despedida do clube merengue, sua infância marcada pela guerra e os momentos decisivos de sua vida no futebol.
Um adeus que não estava nos planos
Após 13 anos de títulos e recordes no Real Madrid, Modrić encerrou uma das eras mais vitoriosas do clube. A saída não foi exatamente sua escolha, mas uma consequência natural de tempo, idade e mudanças no projeto esportivo.
“O meu maior desejo era me aposentar em Madrid. Tudo tem um começo e um fim”, confessou.
“Mesmo não cumprindo esse sonho, vivi coisas que jamais imaginei. A despedida foi perfeita, emocionante. Sou sentimental, e aqueles últimos dias tocaram-me profundamente.”
Chegado ao Real Madrid com 27 anos, Modrić acreditava que permanecer cinco ou seis temporadas já seria extraordinário. No entanto, superou todas as expectativas: saiu quase aos 40 anos, mantendo um nível de excelência superior ao exigido pelo clube mais competitivo do mundo.
Transição para o Milan
Apesar do peso emocional da despedida, o croata afirma que a mudança para o Milan foi a melhor decisão possível dentro do contexto.
“Depois do Real Madrid, qualquer clube será um passo abaixo — isso é inevitável. Mas escolhi o Milan porque sempre admirei o clube. Cresci vendo futebol italiano e o Milan era o meu preferido.”
Modrić destacou também a influência de Zvonomir Boban, ícone croata e lenda rossonera, como inspiração para esta etapa final de carreira. Acrescentou que a competitividade da Serie A e o projeto apresentado pelo clube tornaram a escolha natural.
As batalhas com Daniel Levy e o caminho até Madrid

A entrevista também relembrou um capítulo turbulento da carreira: as negociações com o Tottenham.
Modrić detalhou como Daniel Levy, presidente dos Spurs, se mostrou um dos dirigentes mais difíceis do futebol europeu. Antes de chegar ao Real Madrid, o médio chegou a tentar uma transferência para o Chelsea, sem sucesso.
“Levy disse-me que eu poderia sair, mas não naquele momento. Prometeu-me que o único clube para o qual me deixaria ir era o Real Madrid.”
Quando finalmente o gigante espanhol manifestou interesse, em 2012, Levy endureceu as negociações. O processo foi tão complicado que Modrić admite ter-se declarado em rebeldia para forçar o acordo:
“Foi duro comportar-me daquela forma, mas ele havia dado sua palavra. Eu estava decidido, mesmo que tivesse de ficar de fora dos jogos.”
Infância nas sombras da guerra
A entrevista também abordou o capítulo mais sensível da vida do jogador: sua infância durante a guerra na Croácia. Apesar das dificuldades, Modrić afirma lembrar-se dessa fase com carinho.
“Cresci num albergue, rodeado de amigos. Mesmo com a guerra, foi uma infância feliz. Mas quando mataram o meu avô, isso marcou-me para sempre — há coisas impossíveis de esquecer.”
Seu pai sempre acreditou no seu futuro no futebol, mesmo quando muitos diziam que a família não teria futuro na cidade onde se refugiaram.
“Nunca senti pressão. Eu queria retribuir o sacrifício dos meus pais. Isso guiou toda a minha carreira.”
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