Quando Marta Vieira da Silva completa 40 anos neste 19 de fevereiro de 2026, o mundo do futebol celebra mais do que uma data pessoal: celebra a trajetória de uma das figuras mais influentes que o esporte já produziu. Em mais de duas décadas de carreira profissional, Marta redefiniu padrões, quebrou recordes e, acima de tudo, transformou o futebol feminino em uma plataforma global de excelência, inspiração e mudança social — muito além dos gramados.
Do sertão de Alagoas ao estrelato mundial
Nascida em Dois Riachos, interior de Alagoas, Marta enfrentou desde cedo desafios que muitas jovens sonhadoras jamais chegam a conhecer. Em uma comunidade onde as oportunidades esportivas para meninas eram praticamente inexistentes, ela aprendeu a jogar futebol nas ruas, muitas vezes improvisando bolas entre terrenos irregulares. Esse era apenas o início de uma jornada que a levaria a mais de 25 anos de destaque no cenário mundial.
Aos 14 anos, determinada a perseguir seu sonho, Marta separou-se de sua família e viajou mais de 2 mil quilômetros até o Rio de Janeiro, onde foi aprovada para jogar nas categorias de base do Vasco da Gama. Essa ousadia juvenil foi o primeiro grande passo de uma carreira que rapidamente ultrapassaria fronteiras.
Ascensão meteórica e reconhecimento internacional
Em 2003, aos 17 anos, Marta fez sua estreia pela seleção brasileira principal e logo deixou sua marca: marcou seu primeiro gol em uma Copa do Mundo naquele ano, provando ser uma estrela em formação.
Pouco depois, ganhou projeção internacional ao ingressar no Umeå IK, da Suécia, onde conquistou títulos nacionais e a Liga dos Campeões da UEFA Feminina — um feito que solidificou sua reputação no futebol europeu.
Entre 2006 e 2010, Marta foi eleita seis vezes a Melhor Jogadora do Mundo pela FIFA, cinco delas de forma consecutiva — um recorde absoluto no futebol feminino.
Recordes que ultrapassam expectativas
No cenário internacional, Marta acumulou feitos que parecem desafiar os limites do possível. Ela detém o recorde de mais gols marcados em Copas do Mundo (17), superando todos os jogadores, homens e mulheres, em competições da FIFA.
Além disso, tornou-se a primeira jogadora de qualquer gênero a marcar gols em cinco edições diferentes da Copa do Mundo — feito que foi posteriormente igualado, mas nunca superado em sua magnitude inicial.
Pela seleção brasileira, Marta também construiu números extraordinários, sendo a maior artilheira da história da equipe nacional, com mais de 120 gols marcados ao longo de mais de duas décadas.

Uma heroína em campo — e um ícone fora dele
Os feitos de Marta não se limitam às conquistas esportivas. Ao longo dos anos, ela transformou a visibilidade conquistada em campo em voz ativa fora dele — especialmente em questões sociais e de igualdade de gênero. Em 2018, foi nomeada Embaixadora da ONU Mulheres, reforçando seu papel como defensora da participação de meninas e mulheres no esporte global.
Esse ativismo reflete uma carreira que sempre ultrapassou a mera contagem de gols ou troféus: ela se tornou símbolo de resistência, liderança e empoderamento, inspirando milhões de meninas a acreditarem que o futebol pode — e deve — ser um espaço de oportunidade para todas.
Desafios, glórias e uma carreira sem troféu mundial
Marta viveu momentos de glória, como levar o Brasil ao vice-campeonato da Copa do Mundo de 2007, e momentos de tristeza, como a eliminação precoce em outras edições mundiais. Apesar de jamais ter conquistado o título mundial ou o ouro olímpico, sua consistência, personalidade e liderança fizeram dela muito mais do que uma jogadora vitoriosa: fizeram dela um exemplo eterno.
Legado e influência duradouros
No clube, Marta continuou a brilhar ao longo de diversas ligas ao redor do mundo, incluindo uma passagem expressiva no Orlando Pride, onde permanece como referência técnica e figura inspiradora mesmo após conquistar a liga nacional dos EUA — um título que serviu como coroação de sua carreira nos Estados Unidos.
A influência de Marta também se eternizou na própria FIFA: em 2024, foi criado o “Prêmio Marta”, concedido ao gol mais bonito no futebol feminino — um reconhecimento simbólico de sua contribuição à modalidade.
Mas mais do que os números e as taças, o legado de Marta está na transformação que ela promoveu: da valorização do futebol feminino em suas estruturas profissionais, passando pela inspiração que gerou em atletas globais, até a atenção que trouxe para questões de igualdade, visibilidade e investimento.

Aos 40 anos, a Rainha segue escrevendo sua história
Em 2026, Marta inicia sua 26ª temporada como jogadora profissional, provando que talento não conhece fronteiras nem limites de idade quando aliado à paixão e disciplina. Sua carreira representa não apenas uma linha de tempo esportiva, mas um legado de impacto humano e social.
Enquanto o futebol feminino continua a crescer em audiência, investimento e relevância, o nome de Marta persiste como um farol — lembrando que antes dos milhares de gols e dos troféus, existiu uma menina de Alagoas que ousou sonhar e, ao fazê-lo, mudou o jogo para sempre. (producao : futnews24)
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