Aos 40 anos, completados neste 19 de fevereiro, Marta celebra mais do que uma data simbólica. Celebra uma trajetória que redefiniu os limites do futebol feminino, transformando talento em legado e superação em referência global. Quatro décadas de vida e mais de duas de carreira profissional consolidam a alagoana como a maior figura da história do futebol praticado por mulheres.
Das origens humildes ao sonho profissional
Natural de Dois Riachos, Marta começou a jogar ainda criança, enfrentando resistência cultural e escassez de oportunidades. Aos 14 anos, deixou a cidade natal para tentar a sorte no Rio de Janeiro, onde passou pelas categorias de base do Vasco da Gama. A mudança precoce marcou o início de uma caminhada construída com disciplina e determinação.
O talento chamou atenção rapidamente. Poucos anos depois, a atacante já vestia a camisa da Seleção Brasileira, iniciando uma trajetória internacional que atravessaria gerações.
Consagração na Europa
O reconhecimento mundial veio com força durante sua passagem pelo Umeå IK, da Suécia. No futebol europeu, Marta conquistou títulos nacionais e a Liga dos Campeões Feminina da UEFA, destacando-se como protagonista em um dos clubes mais dominantes da época.
Foi nesse período que iniciou uma sequência histórica de prêmios individuais. Entre 2006 e 2010, venceu cinco vezes consecutivas o prêmio de Melhor Jogadora do Mundo da FIFA, voltando a conquistá-lo anos depois, tornando-se recordista absoluta na categoria. A combinação de técnica refinada, visão de jogo e capacidade decisiva fez dela referência incontestável.
Protagonismo com a camisa do Brasil
Com a seleção, Marta construiu capítulos memoráveis. Foi vice-campeã mundial em 2007, torneio no qual terminou como melhor jogadora e artilheira. Também conquistou medalhas olímpicas de prata e tornou-se a maior goleadora da história das Copas do Mundo, somando participações decisivas ao longo de seis edições do torneio.
Em 2019, alcançou outro marco simbólico ao superar o recorde de gols em Mundiais que pertencia a Pelé, consolidando-se como a maior artilheira da história das Copas — entre homens e mulheres.
Mais do que números, Marta tornou-se a liderança técnica e emocional de diferentes gerações da equipe brasileira, servindo de inspiração para jovens atletas que hoje encontram um cenário mais estruturado do que aquele que ela enfrentou no início da carreira.

Nova etapa nos Estados Unidos
Nos últimos anos, a brasileira passou a atuar no futebol norte-americano, defendendo o Orlando Pride, na liga profissional dos Estados Unidos. Mesmo em fase mais experiente da carreira, manteve protagonismo e influência dentro do elenco, mostrando que longevidade também pode caminhar ao lado de alto rendimento.
Sua permanência em atividade aos 40 anos simboliza não apenas preparo físico, mas também evolução do próprio futebol feminino, que hoje oferece melhores condições de treinamento, acompanhamento médico e estrutura profissional.
Impacto além das quatro linhas
O legado de Marta ultrapassa títulos e troféus. Em 2018, foi nomeada embaixadora da ONU Mulheres, reforçando sua atuação na defesa da igualdade de gênero e do fortalecimento do esporte feminino. Seu discurso durante a Copa do Mundo de 2019, pedindo que meninas persistissem em seus sonhos, tornou-se um dos momentos mais marcantes da história recente do futebol.
Ao longo da carreira, ela transformou visibilidade em voz ativa, defendendo investimentos, melhores salários e respeito às atletas. Se hoje o futebol feminino ocupa espaço crescente na mídia e nas arquibancadas, parte desse avanço passa diretamente por sua trajetória.
Um legado que atravessa gerações
Chegar aos 40 anos em plena atividade é um feito raro no futebol de alto nível. No caso de Marta, o número representa maturidade, resistência e permanência no topo. Sua história mistura pioneirismo e excelência, abrindo portas para atletas brasileiras e internacionais.
Mais do que a “Rainha”, apelido que a acompanha desde cedo, Marta tornou-se um símbolo cultural do esporte mundial. Seu legado não se mede apenas por gols ou prêmios, mas pela transformação estrutural que ajudou a impulsionar no futebol feminino.
Quatro décadas depois do nascimento em Alagoas, o mundo do futebol continua aplaudindo. E, enquanto ainda pisa nos gramados, Marta segue ampliando uma história que já é eterna.
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