A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) anunciou que vai recorrer formalmente das sanções impostas pela Confederação Africana de Futebol (CAF), na sequência dos incidentes que marcaram a final da Taça das Nações Africanas (CAN), disputada em janeiro, em Rabat, frente ao Senegal. A decisão abre um novo capítulo institucional num dos episódios mais controversos da história recente da competição continental.
Em comunicado oficial, a federação marroquina considera que as punições aplicadas são excessivas e desproporcionais face aos acontecimentos registados durante e após a final, sublinhando que o processo disciplinar não teve em conta, de forma equilibrada, o comportamento de todos os intervenientes envolvidos.
A final da CAN terminou com a vitória do Senegal por 1-0, após prolongamento, mas ficou longe de ser lembrada apenas pelo futebol. O encontro foi marcado por decisões de arbitragem contestadas, momentos de elevada tensão emocional e falhas graves no controlo disciplinar, fatores que, segundo Marrocos, comprometeram a imagem do evento e a equidade das sanções aplicadas.
Um dos pontos centrais da contestação marroquina prende-se com o protesto da seleção senegalesa após a marcação de uma grande penalidade nos minutos finais do tempo regulamentar. A decisão levou jogadores e membros da equipa técnica do Senegal a abandonarem temporariamente o relvado, num gesto interpretado por Rabat como uma violação clara dos regulamentos competitivos da CAF. O penálti acabaria por ser desperdiçado, prolongando o jogo e alimentando ainda mais o clima de instabilidade.
A FRMF aponta ainda responsabilidades à organização do encontro no que diz respeito à segurança. A invasão do terreno de jogo por adeptos, bem como episódios de desordem nas bancadas, são apresentados como sinais de falhas estruturais que não podem ser imputadas exclusivamente à federação anfitriã. Para Marrocos, a resposta disciplinar da CAF ignorou esse contexto mais amplo.
As sanções anunciadas no final de janeiro agravaram o mal-estar institucional. Do lado senegalês, o selecionador Pape Thiaw foi suspenso por cinco jogos por incitar a equipa a abandonar o campo, enquanto a federação recebeu multas pesadas relacionadas com o comportamento dos adeptos e da equipa técnica. Apesar disso, Dakar optou por não recorrer das decisões.
Já Marrocos foi punido com suspensões a jogadores-chave e multas elevadas, relacionadas com comportamentos considerados antidesportivos, interferência na zona do VAR, atuação dos apanha-bolas e utilização de lasers nas bancadas. A FRMF sustenta que estas penalizações não refletem de forma justa a dinâmica real dos acontecimentos nem o grau de responsabilidade de cada parte.
Nos bastidores do futebol africano, o caso é visto como um teste importante à credibilidade dos mecanismos disciplinares da CAF. Especialistas apontam que o recurso marroquino poderá estabelecer um precedente relevante sobre proporcionalidade de sanções, transparência processual e proteção da integridade competitiva em jogos de alto risco.
A decisão de Marrocos surge também num momento sensível para o futebol africano, que procura reforçar a sua imagem global, atrair investimento internacional e consolidar a CAN como uma das principais competições de seleções do mundo. Para Rabat, recorrer não é apenas uma questão desportiva, mas institucional e estratégica.
Enquanto o processo segue para instâncias superiores, a polémica continua a dividir opiniões no continente, expondo as fragilidades na gestão disciplinar de grandes eventos e reacendendo o debate sobre arbitragem, segurança e governação no futebol africano moderno. (paulo nhambo)
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