A Taça das Nações Africanas 2025 arranca este domingo em Marrocos sob enorme expectativa, mas também marcada por dúvidas em torno das principais figuras do futebol africano. Entre recuperações físicas, tensões nos clubes e trajetórias discretas longe da Europa, Achraf Hakimi, Mohamed Salah e Sadio Mané chegam ao maior palco continental em momentos muito diferentes das suas carreiras.
Hakimi: a esperança marroquina numa corrida contra o tempo
Capitão da seleção anfitriã e símbolo máximo do futebol marroquino, Achraf Hakimi é apontado como a grande estrela da CAN-2025. Considerado por muitos o melhor lateral-direito do mundo, sexto classificado na última Bola de Ouro — sendo o defesa mais bem posicionado — e eleito melhor jogador africano, Hakimi carrega sobre os ombros a ambição de conduzir Marrocos ao seu segundo título africano.
O entusiasmo, porém, foi travado por um susto. A 4 de novembro, ao serviço do PSG, Hakimi sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo após um tacle duro num jogo da Liga dos Campeões. Desde então, iniciou uma recuperação intensa, transformando a sua presença no torneio numa incógnita.
O selecionador Walid Regragui garante que o lateral estará apto para o jogo inaugural, a 21 de dezembro, frente às Comores, em Rabat. Ainda assim, o formato da prova — com 24 seleções — permite alguma margem de gestão física, podendo Hakimi regressar apenas a partir da fase a eliminar, sem comprometer a qualificação.
Mohamed Salah: um líder sob escrutínio
No Egipto, todas as atenções recaem sobre Mohamed Salah, mas desta vez num clima de maior pressão do que entusiasmo. Ídolo absoluto dos “Faraós” e um dos maiores jogadores africanos da história, Salah soma uma carreira impressionante: uma Liga dos Campeões, duas Premier Leagues e 250 golos ao serviço do Liverpool.
Apesar disso, a temporada 2024/25 tem sido turbulenta. O extremo foi várias vezes relegado ao banco pelo treinador Arne Slot e, em dezembro, deixou no ar um desabafo preocupante: “Sinto que alguém já não me quer no clube”. As declarações alimentaram rumores de uma saída antecipada de Anfield, apesar do contrato válido até 2027.
Em meio a esse cenário de incerteza, Salah terá de reencontrar o foco total na CAN, competição que ainda lhe escapa. Derrotado nas finais de 2017 e 2021, o capitão egípcio encara talvez uma das últimas grandes oportunidades de conquistar o título continental.
Sadio Mané: menos holofotes, mais eficácia
Curiosamente, é Sadio Mané quem chega em melhor forma entre os grandes nomes do torneio. Aos 33 anos, o senegalês vive um momento sólido no Al-Nassr, com seis golos e seis assistências em 17 jogos na temporada.
Desde a saída do Bayern Munique, em 2023, Mané perdeu protagonismo mediático, mas ganhou tranquilidade competitiva. Essa discrição pode revelar-se uma vantagem para o Senegal, que aposta numa seleção equilibrada entre juventude e experiência.
Mané continua decisivo com a camisola nacional: marcou dois golos na vitória por 4-0 frente à Mauritânia, em outubro, garantindo a qualificação para o Mundial de 2026. Agora, procura repetir o sucesso de 2021 e liderar os “Leões da Teranga” a um novo título africano.
Outras estrelas em contextos distintos
Além do trio principal, outras figuras chegam à CAN com percursos marcados por altos e baixos:
- Riyad Mahrez (Argélia), atualmente no Al-Ahli, viu-se obrigado a responder a críticas e dúvidas sobre a sua condição física.
- Victor Osimhen (Nigéria), em bom momento no Galatasaray, carrega o peso emocional da não qualificação nigeriana para o próximo Mundial.
- Sébastien Haller (Costa do Marfim), herói do título de 2023, lesionou-se na coxa a poucos dias do arranque da prova e permanece em dúvida.
Um torneio de resistência e liderança
A CAN-2025 promete mais do que talento puro. Será um teste à resiliência física, força mental e liderança das grandes estrelas africanas. Entre lesões, crises nos clubes e regressos discretos, Hakimi, Salah e Mané terão de provar que continuam capazes de decidir jogos e escrever história.
Num continente onde o futebol é identidade, esperança e orgulho, esta edição da Taça das Nações Africanas promete emoção, drama e protagonistas à altura do maior palco africano.
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