O Governo do Gabão anunciou a suspensão imediata da seleção nacional de futebol, o afastamento dos jogadores Pierre-Emerick Aubameyang e Bruno Écuélé Manga, bem como a demissão de toda a comissão técnica, na sequência do fraco desempenho dos Panteras na Copa Africana de Nações (CAN).
O anúncio foi feito pelo ministro dos Desportos, Simplice-Desire Mamboula, numa comunicação transmitida pela televisão estatal, na qual classificou a campanha da seleção como “vergonhosa”. A decisão surge após o Gabão terminar na última posição do Grupo F, atrás da Costa do Marfim, Camarões e Moçambique.
A situação agravou-se após a derrota por 3-2 frente a Moçambique, no dia 28 de Dezembro de 2025, resultado que confirmou a eliminação precoce da equipa da competição. Posteriormente, os gaboneses sofreram nova derrota por 3-2 diante da Costa do Marfim, com um golo decisivo nos acréscimos, completando uma série de três derrotas em três jogos.
Segundo o ministro, o Governo decidiu dissolver a equipa técnica, suspender a seleção nacional até novo aviso e afastar Aubameyang e Écuélé Manga, numa tentativa de restaurar a disciplina e a credibilidade do futebol gabonês.
Horas após a divulgação, o vídeo do anúncio chegou a ser retirado das plataformas oficiais do ministério e da televisão estatal, mas acabou por ser republicado no dia seguinte, reforçando a posição oficial do Executivo.
Após a derrota frente a Moçambique, o caso foi analisado pelo Conselho de Ministros. Aubameyang regressou ao Olympique de Marselha devido a uma lesão na coxa, enquanto o Presidente do Gabão, Brice Clotaire Oligui Nguema, afirmou que o desempenho da seleção “enfraqueceu parte da identidade nacional”.
“O futebol nacional revela dois grandes problemas: a falta de método e a dispersão de recursos”, declarou o Chefe de Estado, prometendo decisões fortes e estruturais para restaurar o rigor, a responsabilidade e a ambição na gestão do desporto no país.
Apesar disso, as medidas anunciadas poderão gerar tensão com a FIFA, uma vez que o organismo máximo do futebol mundial proíbe a interferência governamental direta na gestão das federações nacionais.