O diretor esportivo do FC Barcelona, Deco, revelou detalhes inéditos sobre a saída de Dro Fernández para o Paris Saint-Germain, admitindo que o clube catalão tinha um acordo informal com o agente do jogador para negociar a renovação assim que ele completasse 18 anos. A transferência da promessa da La Masia, no entanto, aconteceu antes do previsto e surpreendeu a estrutura desportiva blaugrana.
Em entrevista ao jornal SPORT, Deco fez um balanço amplo da atualidade do clube, abordando desde a reformulação do elenco até a consolidação da nova era sob o comando de Hansi Flick. No centro das atenções esteve a saída do jovem talento, que vinha sendo integrado gradualmente à dinâmica da equipa principal.
Segundo o dirigente, o Barcelona contava com um entendimento prévio com o representante do atleta. “Havia um pacto para conversar no momento certo”, explicou. Contudo, a movimentação antecipada do mercado e a existência de uma cláusula contratual acabaram por acelerar o processo, deixando o clube sem margem de manobra.
A saída de Dro Fernández reacende um debate recorrente no futebol europeu: a dificuldade dos grandes clubes em reter talentos da base diante da ofensiva financeira de gigantes como o PSG. Para o Barcelona, que aposta historicamente na formação como pilar estratégico, o episódio representa mais do que uma simples transferência — simboliza os desafios de competir num mercado cada vez mais agressivo.
Apesar do revés, Deco demonstrou confiança no atual projeto desportivo. O dirigente destacou o crescimento de Lamine Yamal, considerado um dos maiores ativos do clube. Para ele, o jovem extremo tem mostrado maturidade dentro e fora de campo, especialmente após enfrentar a primeira lesão da carreira. “Essas experiências moldam o caráter”, indicou, reforçando que o clube acompanha de perto o desenvolvimento humano dos seus atletas.
Outro nome valorizado foi o de Fermín López. Deco confirmou que houve sondagens no último mercado de verão, mas garantiu que o Barcelona nunca considerou seriamente a venda. A renovação antecipada foi vista como um gesto de reconhecimento ao desempenho do médio e uma estratégia para blindar o plantel diante do assédio externo.
No plano institucional, Deco também vinculou sua permanência à continuidade do presidente Joan Laporta, num momento em que o ambiente político do clube segue movimentado. A estabilidade administrativa é vista internamente como essencial para sustentar o processo de reconstrução.
Sobre Hansi Flick, o diretor esportivo justificou a escolha do treinador alemão como um movimento estratégico. Em vez de uma ruptura total com o legado de Xavi Hernández, a direção optou por ajustes estruturais, priorizando conhecimento tático, disciplina competitiva e coerência com a identidade histórica do clube.
O Barcelona vive uma fase de transição delicada, tentando equilibrar renovação, estabilidade financeira e competitividade internacional. A saída de Dro Fernández evidencia os riscos do atual cenário, mas também reforça a necessidade de blindar talentos emergentes num mercado cada vez mais volátil.
Com a semifinal diante do Atlético de Madrid no horizonte e a ambição de recuperar protagonismo europeu, o clube catalão aposta na combinação entre juventude, gestão estratégica e liderança técnica para reconstruir sua imagem no cenário global. _futnews24