| 24 DE DEZEMBRO DE 2025 | POR: DOMINGOS CAMUNGA |
A polêmica dedução de três pontos da África do Sul nas eliminatórias para a Copa do Mundo quase comprometeu um sonho nacional, mas acabou deixando uma marca profunda na trajetória de Teboho Mokoena. O meio-campista do Bafana Bafana, envolvido involuntariamente no episódio que resultou na anulação da vitória sobre o Lesoto, diz que a experiência o ensinou a ser um companheiro de equipe mais atento e solidário.

Mokoena foi escalado numa partida em que deveria cumprir suspensão por cartões amarelos, erro administrativo que levou a FIFA a transformar o triunfo sul-africano em derrota. O caso gerou críticas duras, pressão pública e semanas de incerteza, colocando o jogador no centro de uma tempestade que quase custou a classificação para o Mundial de 2026.
Apesar de o técnico Hugo Broos ter assumido a responsabilidade pelo descuido, o episódio afetou profundamente o atleta do Mamelodi Sundowns, que admitiu ter vivido meses emocionalmente difíceis, sentindo mais alívio do que euforia quando a África do Sul confirmou a vaga na Copa do Mundo. Em entrevista, ele revelou que o maior medo não eram as críticas, mas a possibilidade de prejudicar todo o grupo.
A vivência, porém, mudou sua forma de olhar o balneário. Hoje, Mokoena afirma estar mais atento aos sinais de colegas que enfrentam dificuldades silenciosas, reconhecendo que muitos jogadores carregam problemas sozinhos, sem pedir ajuda. Para ele, a união do elenco e a capacidade de apoiar uns aos outros tornaram-se tão importantes quanto o desempenho em campo.
Essa filosofia também se reflete na relação com companheiros como Sipho Mbule, com quem divide uma longa história desde as categorias de base até a seleção principal. O reencontro no Bafana Bafana, após altos e baixos na carreira de Mbule, reforçou a convicção de Mokoena de que o apoio mútuo pode resgatar trajetórias e fortalecer a equipa.
Sob o comando de Hugo Broos, a seleção sul-africana consolidou um ambiente de maior harmonia, algo que, segundo o próprio jogador, não existia com a mesma intensidade no passado. O resultado foi visível tanto na classificação para o Mundial quanto nas recentes campanhas continentais, incluindo vitórias importantes contra adversários africanos de peso.
Fora das quatro linhas, Mokoena também assumiu um papel de liderança, defendendo a educação financeira entre os jogadores mais jovens, inspirado pelas dificuldades enfrentadas pelo seu pai após o fim da carreira. Para ele, ser um bom companheiro de equipe vai além do futebol: passa por preparar os colegas para a vida depois do apito final.
A saga do cartão amarelo foi um dos momentos mais duros da carreira do médio sul-africano, mas acabou se transformando numa lição de maturidade, empatia e liderança — valores que hoje fazem de Teboho Mokoena uma referência dentro e fora do Bafana Bafana, conforme destacou a ESPN.
A Espn também destacou a matéria : https://africa.espn.com/espn/story/_/id/47405086/what-yellow-card-saga-taught-bafana-teboho-mokoena-being-good-teammate