A Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu mexer no coração da maior competição do continente. O Campeonato Africano das Nações (CAN) vai passar por uma transformação histórica em 2027, após o Comité Executivo do organismo ter aprovado o aumento do número de selecções participantes, numa decisão tomada no último domingo (29), durante uma reunião oficial da entidade.
Até aqui, o CAN vinha sendo disputado por 24 selecções, modelo adoptado nas últimas edições como forma de garantir maior competitividade e organização. Porém, com a nova decisão, a competição passará a contar com 28 selecções, um aumento de quatro equipas, o que confirma os rumores que circulavam nos bastidores do futebol africano nas últimas semanas.
A mudança não é apenas simbólica. Ela representa uma nova estratégia da CAF para tornar o torneio mais inclusivo e ampliar a presença de federações emergentes, dando oportunidade a países que raramente conseguem ultrapassar as fases preliminares de qualificação. Para muitos analistas, trata-se também de um movimento com impacto financeiro e político, já que mais selecções significam mais jogos, mais audiências, mais patrocinadores e maior exposição mediática.
O CAN 2027 será ainda mais marcante por outro motivo: será organizado por três países ao mesmo tempo, algo inédito na história da competição. Tanzânia, Uganda e Quénia foram confirmados como anfitriões, garantindo automaticamente as primeiras três vagas no torneio, numa edição que promete ser uma das mais complexas logisticamente e ao mesmo tempo uma das mais ambiciosas já vistas.
A CAF pretende agora acelerar os preparativos do processo de qualificação. Segundo o calendário preliminar, o sorteio da fase de apuramento deverá acontecer após a pausa internacional do mês de Março, período em que as selecções pior posicionadas no ranking da FIFA deverão disputar play-offs para garantir entrada na fase principal de qualificação.
A decisão surge num momento em que o futebol africano vive um crescimento acelerado, com mais jogadores no topo da Europa e um aumento claro do interesse global pelo continente. Mas também levanta uma questão inevitável: será que a CAF conseguirá manter o nível competitivo do torneio com mais equipas, ou o CAN arrisca tornar-se uma competição mais extensa, porém menos equilibrada?
O certo é que 2027 já não será apenas mais uma edição do CAN. Será um teste real à capacidade organizativa do futebol africano e um novo capítulo na luta pelo protagonismo continental. (Por : Júlio e Paulo Nhambo)